Tenho sentido o forte cheiro da morte ao meu redor. Não porque estaríamos morrendo mais, mas porque tenho estado um tanto presente aos funerais. Estou cada vez mais envolvida ao cerimonial e muito atenta aos movimentos da Senhora do Destino. Estou com ela e ela está comigo. Entre velórios e enterros, se foram pensamentos, formas, impressões, planos. Eles foram levados por doenças, violências, tragicidades ou mera morte morrida. Estive lá, tomei café, comi bolachas. Chorei também. Como não? Não tenho vergonha de admitir que esperneei em algumas idas com minhas muitas lágrimas incrédulas. Outras passagens, até mesmo das mais difíceis, me encontraram forte. Como uma boa menina, abracei a morte. Olhei-a nos olhos com resignação e compreendi. Que as coisas vem e vão, e nós não estamos aptos a fazer ajustes no tempo de cada uma delas. Somos suspeitos demais, envolvidos e amarrados nas forças do apego e do medo de tudo que vem novo. Entendido, posso me ocupar apenas de ser o que sou. Parei de cobiçar o setor administrativo da vida. Quem cuida disso pra mim agora, é a morte. E se ela faz isso desde eternamente, com tanto talento, pra que vou eu, criatura, me incomodar em medir suas decisões? Nesse momento, eu flerto com a morte. Me entrego aos seus cuidados com tamanha fé e paixão que acho lindo morrer. Agradeço a Deus por permitir que eu morra. E gosto de seja assim, um pouquinho todo dia. E vou aprendendo com ela a difícil arte do desatar...
Bonito texto. Mesmo.
ResponderExcluirMais vale sentí-lo que comentá-lo.
Beijos Cocô.